Trabalho social: vale a pena!!!

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “trabalho social: vale a pena”.

Como vocês sabem, começamos um projeto social há algumas semanas que se chama Together (segue aqui o link do grupo do WhatsApp para quem mora em São Paulo e quer participar dele: https://goo.gl/E1JmC2). A proposta é realizarmos todo mês uma ação social. A primeira que fizemos foi uns dias atrás; levamos o café da manhã num domingo aos moradores de rua da Praça da Sé.

Para ver como vale a pena fazer algo em prol dos mais necessitados, veja o impressionante testemunho de uma pessoa que está participando deste projeto e esteve nesse dia na Praça da Sé.

Há quinze dias, visitando pela primeira vez moradores de rua na Sé com um grupo de pessoas que se mobilizaram para isso, tive uma experiência muito marcante em minha vida. Como sabem, tudo o que vem de Deus e é para nos edificar e transformar a força do mal tenta boicotar, para que isso não aconteça. Digo isso porque eu estava com preguiça de acordar cedo em um domingo, estava com receio de como seria aquilo, com certo arrependimento de ter me comprometido a levar o café da manhã para os moradores da Praça da Sé.

Mas, graças a Deus, vencidas todas as forças contrárias, fui preparar os sanduíches que fiquei de levar. Eu confesso que, depois de comprar as coisas e começar a prepará-las, meu coração já ficou fortemente tocado. A cada sanduíche que eu fazia, ia imaginando que alguém que realmente precisava iria comê-lo. E sentia uma sensação muito forte no meu coração ao pensar também que algo que é tão pouco significativo para mim podia ser muito, muito importante para alguém. E o mais interessante é que comecei a sentir alegria por estar preparando algo para alguém que amo muito, mesmo não conhecendo aquelas pessoas que iria encontrar!

Quando Jesus disse: “Tudo o que fizerdes de bem ao outro é a mim que o fazes”, ele não usava uma metáfora, isso é um fato: posso dizer com propriedade que, uma vez estando na Praça da Sé, eu vi Deus em todas as pessoas com quem falei na rua. E algumas eu tenho certeza de que foi Ele que mandou para me dar uns recados importantes, os quais gostaria de compartilhar aqui.

Entre os vários moradores que conheci, conversei com uma mulher muito doce e com muita bondade no coração. Ela me disse que estava na rua por desemprego, não por drogas ou crime, e que o marido é epiléptico. Devido a isso, perdeu o barraco em que moravam. Pouco depois, ela me mostrou um molho de chaves, que disse ter achado, e me explicou que o carrega sempre com ela. Ela começou a me contar que fica olhando sempre para aquelas chaves, imaginando como vai ser quando voltar a ter a casa dela. Com um sorriso no rosto e um brilho nos olhos, dizia: “Esta daqui vai ser a chave do meu portão; esta, da porta da cozinha; e esta, do meu quarto…”.  Enquanto me explicava e mostrava uma a uma as chaves, comecei a chorar sem parar. O mais impressionante foi que nesse momento ela, num gesto muito carinhoso, começou a enxugar minhas lágrimas, e ainda me disse: “Não chora não, senão eu também choro, e não quero chorar…”.

Além de me fazer ver o valor e a beleza das coisas “banais” e simples, essa moça também me disse que Deus era bom, e que ela tinha fé que iria conseguir tudo o que queria. Confesso que na hora eu pensei: no lugar dela, não teria nenhum motivo para pensar que Deus é bom, por ter permitido que eu perdesse minha casa e morasse na rua! Mas não vi nela nenhuma revolta, nenhuma raiva. Era como se fosse um Anjo de Deus. A fé inacreditável daquela mulher e sua esperança foram uma facada no meu coração, que tantas vezes duvida e questiona o amor de Deus por mim, só porque Ele não faz algumas vezes o que quero e quando quero. Eu tinha acabado de me mudar para um apartamento menor e estava muito contrariada com aquilo. Senti naquela hora vergonha do meu sentimento.

Mas depois pensei: de onde vem essa fé linda e inspiradora, este amor a Deus inexplicável, resiliente, completamente irracional? Cheguei à conclusão de que só pode vir do próprio Deus, da sua misericórdia, que manda seu Espírito Santo e seus anjos para cuidar dessas pessoas. Essa é a explicação para entender por que me senti tão perto de Deus estando ao lado dela. Rezamos uma Ave-Maria juntas para pedir a Nossa Senhora que intercedesse por ela para que conseguisse um emprego e uma casa. Foi a mais linda e importante de todas as Ave-Marias que eu já rezei na minha vida. Naquele momento, eu pedi a Maria, de todo o coração, que colocasse todos os meus pedidos de lado e atendesse com urgência aos dela, porque a minha noção de necessidade havia mudado radicalmente. Depois de conversar com essa moça, posso garantir que não vejo mais a minha casa, nem a minha vida, com o mesmo olhar de antes.

Não bastasse essa experiência, conversei com outro morador de rua, que me disse: “Deus é muito bom, eu vou sempre à igreja para agradecer. É que a gente agradece pouco a Ele, e Ele faz tudo pela gente”. Quando eu ouvi isso, de forma tão simples e sincera, também me emocionei fortemente e senti uma enorme vergonha da minha ingratidão. Pensei: se este homem que mora na rua e não tem “nada” acha que deveria agradecer mais a Deus, imagina eu! Este homem não sabe o favor que me fez e o impacto que me causou! Um testemunho vivo de fé e de amor que cura qualquer mal ou problema psicológico, um remédio eficaz para a cura da mente e da alma. Naquele momento, senti um pouco de desespero pelo meu passado de ingratidão e uma vontade enorme de retribuir a Deus por tudo. Mentalmente, pedi a Ele que me mostrasse o que eu devo fazer para agradecer tanto amor que tem por mim e tudo o que já fez, faz e fará na minha vida e na das pessoas que amo. Ele me mostrou que o caminho é a caridade, é não desistir dessas pessoas, é me doar cada vez mais.

Quero fazer de tudo para ir sempre e levar mais gente comigo nestas visitas na rua, além de outros trabalhos sociais. Quero que outros sintam o que senti e sejam transformados por esta experiência como eu fui. O encontro com essas pessoas, o que pude sentir da carência de amor que elas têm e a possibilidade de suprir isso de alguma forma me fizeram enxergar o caminho para a solução de muitos dos meus problemas, o caminho para continuar crescendo espiritualmente na fé e no amor a Deus e ao próximo, e para ser cada vez mais feliz. Verdadeiramente senti o amor e a misericórdia de Deus por mim e pela humanidade inteira na experiência de amar e ter misericórdia por essas pessoas. De tudo que São Paulo disse de belo, acho que esta frase resume tudo, pois mostra que nossa capacidade de amar é o que mais importa a Deus do que qualquer outra coisa: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, porém o maior destes é o amor” (I Coríntios 13.13).

Uma semana abençoada a todos!

Padre Paulo