Ser amigo dos filhos

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “ser amigo dos filhos”.

Uma vez vi um santo comentar que os pais devem ser amigos dos filhos, que essa é a melhor maneira de educá-los.

Com os meus quase 25 anos aconselhando pessoas o dia inteiro, jovens e mais velhos, confirmo a cada dia como são verdadeiras essas palavras. E por que essas palavras são tão verdadeiras? Porque vivemos numa sociedade em que educar pela autoridade ou pela imposição pode levar à quebra dos laços afetivos com os filhos. Antigamente, durante séculos, a educação foi feita na base da autoridade. Não havia tanto problema, pois a sociedade vivia assim.

Educar na base da autoridade, mesmo que isso tenha “funcionado” durante séculos, não é a educação ideal. Quando se educa na autoridade, a liberdade dos filhos fica engessada. Também há o entendimento segundo o qual eles devem obedecer e pronto, sem entender a razão, os motivos.

Com a democratização da sociedade, a autoridade dos pais ficou bastante comprometida. Hoje os filhos falam de igual para igual com os pais. Hoje, se os pais são rígidos, os filhos se afastam deles, cortam o laço afetivo. Isso acontece principalmente com aqueles filhos que são menos profundos, menos reflexivos e mais emocionais. Os filhos mais profundos, reflexivos e mais racionais costumam entender melhor o exercício da autoridade.

Numa sociedade em que os filhos enfrentam os pais, a melhor educação é aquela que se faz através da amizade. Essa ideia é muito simples, mas é uma verdadeira novidade para muitos pais, pois, por natureza, os pais são pais, isto é, estão numa posição superior, ensinando e dando ordens.

Não digo que os pais devem deixar de ser pais, de exercer a autoridade, mas que, se querem educar os filhos nos tempos de hoje e, diria, sempre, devem se tornar também amigos dos filhos.

Uma vez, num ônibus, voltando para São Paulo, um senhor sentou-se do meu lado e começou a contar sua vida. Falou dos seus filhos. Ao relatar como os educava, fui ficando com os olhos arregalados. Percebi logo que aquele homem tinha um dom extraordinário: o dom da educação. Ele tinha um filho de 18 anos e uma filha de 15 anos. Um dia a filha chegou em casa e foi dizendo que queria uma festa de 15 anos como a da sua amiga. O pai ouviu aquilo e não fez nenhum comentário negativo e nem sequer franziu a testa. Outro dia chamou a filha para conversar. Fazia sempre isso. Aí estava um dos seus segredos. Como morava em Santos, ia à praia e conversava longamente com os filhos, falando antes sobre as coisas de cada um e depois, quando necessário, falava um tema mais importante, como esse da festa. Aí lhe disse assim: “Sabe, filha, eu adoraria dar essa festa a você; você merece muito mais ainda; mas, sabe, você gostaria que seu pai assaltasse um banco?”. A filha respondeu: “Claro que não, pai”. Então o pai disse: “Pois então, filha, para preparar essa festa que você está querendo, terei de assaltar um banco, pois eu não tenho esse dinheiro; mas, filha, pode ficar tranquila que a sua festa vai ser uma festa inesquecível; vai ser simples, mas inesquecível; sabe o meu amigo japonês que é meu chefe na empresa e que é um cozinheiro de primeira? Eu já falei com ele e ele topou vir e preparar as comidas; nós vamos fazer uma decoração que você vai adorar; já pensei nas músicas e tudo o mais”. Não é preciso dizer que a filha ficou muito feliz com o que o pai disse e depois realmente a festa foi inesquecível para ela. Com razão aquele senhor dizia que os filhos o respeitavam profundamente e que nunca precisava levantar a voz para pedir que fizessem algo.

Algo parecido ocorreu com o seu filho, que pediu ao pai um carro caso entrasse na universidade. Ele animava o filho a estudar e dizia que teria uma grande surpresa para ele caso entrasse. Dias depois de saber que entrou, disse ao filho: “Filho, vai lá na garagem, pois tem um presente para você”. Foi lá e viu um embrulho gigantesco do tamanho de um carro. O que havia lá: um computador. Quando o filho viu o presente, o homem lhe disse: “Filho, eu adoraria dar um carro a você e farei isso, quem sabe um dia; mas para já este é o presente que seu pai lhe pode dar com todo o carinho”.

Para ser amigo dos filhos, é preciso entrar no mundo deles. Gostar do que eles gostam, dos seus hobbies, das suas bandas etc. A amizade se forja quando há gostos em comum, quando um admira o que o outro faz, quando se pede conselho ao amigo, quando conseguem momentos para estar a sós, passeando, fazendo um esporte etc. Tudo isso os pais devem fazer para ser amigos dos filhos.

Com a amizade, nunca os filhos perdem o laço afetivo com os pais e sempre ouvirão o que os pais dizem.

Que essas ideias sirvam para que os pais consigam o que tanto desejam para os filhos: que eles sejam grandes pessoas!!!

Uma santa semana a todos!

Padre Paulo