Sentido da Quaresma

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “sentido da Quaresma”.

Todos precisamos retificar o rumo. Todos nós somos como um barco que partimos de um porto em direção a um destino, e para conseguirmos este objetivo, precisamos retificar o rumo frequentemente.

Há ocasiões em que nós percebemos melhor que nos desviamos. Por exemplo, fizemos o propósito de ser mais pacientes, mas pouco a pouco a impaciência foi tomando conta novamente. Fizemos o propósito de ser mais bem-humorados mas, sem perceber, fomos de novo sendo absorvidos pelo mau humor, pelo azedume. Fizemos o propósito de rezar mais, mas ao passar o tempo fomos desleixando este desejo, esta luta.

A igreja, com a sua longa experiência do ser humano, sabe dessa realidade, e por isso estabelece a Quaresma para que retifiquemos o rumo das nossas vidas. A Quaresma dura 40 dias (daí o nome da Quaresma, do latim Quadragesima) e começa com a famosa Quarta-feira de cinzas. Chama-se Quarta-feira de cinzas porque nesse dia, na missa, o sacerdote faz a imposição das cinzas aos fiéis dizendo as seguintes palavras: “Lembra-te ó homem que és pó e ao pó hás de tornar”.

Assim dá-se início a Quaresma com essa consciência de que somos pó, com a consciência de que nossa vida é passageira, com a consciência de que facilmente nos desviamos do caminho e de que não há tempo a perder para retificar o rumo da nossa vida porque o que realmente importa nesta vida é fabricar a chave para abrir, quando ela chegar ao fim, a porta do Céu. E qual é a chave que abre a porta do Céu? A santidade. E a santidade nada mais é do que terminar esta vida muito parecidos com Jesus Cristo: amando a Deus sobre todas, todas, todas as coisas e tendo desbastado todas as misérias do nosso coração: inveja, rancor, egoísmo, preguiça, orgulho, vaidade, mágoas, todas as faltas de caridade, tudo aquilo que nos impede de amar o próximo, seja quem for, de modo perfeito, incondicional etc. Só sendo santos entraremos no Céu! Se estamos lutando com todas as forças para isso e morremos no meio do caminho, Deus nos dá o Purgatório para terminarmos esta tarefa de santificação.

A Quaresma nos leva a voltar a pensar que estamos na terra para fabricar esta chave. Facilmente nos esquecemos disso e nos perdemos no meio do caminho, esquecendo-nos de Deus e da tarefa da santificação.

Por isso, muitas vezes durante a Quaresma a Igreja vai nos lembrar aquelas palavras de Jesus Cristo, chamando-nos à conversão, a colocá-lo em primeiro lugar na nossa vida: Diz o Senhor Todo-Poderoso: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração, com jejum, lágrimas e gemidos de luto. Rasgai os vossos corações, não as vossas vestes; convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque ele é compassivo e misericordioso” (Joel 2, 12-13).

Esta é a primeira recordação de Deus na Quaresma: “rasgai os vossos corações”. Isto é: convertei-vos, tirai o coração que está nas coisas da terra e colocai o coração em mim em primeiro lugar. É como se Jesus nos dissesse: não estou muito preocupado com o jejum que você fará na Quaresma, com o doce que você vai deixar de comer, com a bebida alcoólica que você vai deixar de tomar. Estou mais preocupado com o teu coração, que você se converta para mim, que você me coloque em primeiro lugar. E a conversão, na prática, é feita por sucessivas conversões. E para saber qual é a desta Quaresma, devemos perguntar a Deus: Senhor, o que você gostaria que eu me convertesse agora?

Talvez o fato de ainda não irmos à Missa todos os domingos. Talvez passar muito tempo sem nos confessarmos. Talvez o fato do nosso coração ainda estar longe de Deus ou perto dEle em poucos momentos do dia. Talvez mudar o modo de reagir em casa com impaciências, irritações, tom de voz elevado. Talvez tirar a mágoa que está no nosso coração. Talvez que nos livremos de certas “dependências” ou “vícios” que estão nos atrapalhando como o celular, a TV, a novela, a bebida, o doce, a coca-cola, o café, etc, quando excessivos.

Toda conversão custa sacrifício. Daí os sacrifícios da Quaresma que nada mais são do que os sacrifícios da nossa próxima conversão. Muitas pessoas ficam assustadas quando se fala em fazer sacrifícios para Deus. Por outro lado, entendem perfeitamente outros sacrifícios: os sacrifícios para manter a forma física e a aparência: horas de exercícios pesados na academia, corridas extenuantes, dieta rígida, dolorosas cirurgias etc. Uma vez uma especialista em sobrancelha me dizia: “são 20 minutos de dor para 30 dias de felicidade”. Não é preciso pensar muito para perceber que os sacrifícios por Deus são os que mais valem!

“Lembra-te que és pó e ao pó as de tornar”! A vida é breve. Saibamos pegar o caminho que realmente interessa que é o caminho que nos leva a entrar no Céu. Aproveitemos esta Quaresma para acelerar o passo para Deus, para realizarmos a próxima conversão!

Uma semana abençoada a todos!

Padre Paulo