Sempre há esperança!

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “sempre há esperança”.

Jacques Fesch – o santo assassino

Na história da Igreja há um só precedente de um condenado à morte por delitos comuns e elevado à honra dos altares. Trata-se do “bom ladrão” São Dimas, há 2.000 anos.

Recentemente chegaram a Roma os atos da causa de beatificação de Jacques Fesch, um jovem francês guilhotinado pelo homicídio de um policial, durante um assalto.

Sua história é um exemplo maravilhoso de que são possíveis uma conversão sincera, um arrependimento verdadeiro, e de que, mesmo tendo cometido pecados graves, uma pessoa pode vir a se santificar pela confiança em Deus, pelo reconhecimento da infinita misericórdia divina, pela humildade, pela oração, pela contrição perfeita de seus pecados e pelo oferecimento a Deus de todas as suas penas e sofrimentos como forma de expiá-los. Sua história é muito edificante.

Nascido em uma família rica, filho de um poderoso banqueiro belga, ele era ateu e adúltero. Levava uma vida mundana. Com fama de playboy, era dado às bebedeiras e frequentemente se envolvia com prostitutas. Casou-se aos 21 anos com Pierrette Polack, que estava esperando um filho seu. Não obstante o nascimento da filha, o jovem Fesch continuou a se encontrar com outras mulheres. Desses encontros nasceu Gérard, filho bastardo que foi entregue aos cuidados de um orfanato. Logo depois, o casal se divorciou.

Inquieto e deprimido, pretendendo fugir às responsabilidades da família que, muito jovem, havia formado, decidiu empreender uma navegação solitária ao redor do mundo. Pediu a seus pais a ajuda financeira necessária para comprar um barco e realizar tal viagem. Estes, por não compreenderem a delicada situação emocional de seu filho, tomando-o por desequilibrado e ilusionista, negaram o apoio. A fim de conseguir recursos para o seu plano, Fesch acertou com o famoso cambista Alexander Silberstein a troca de 2 milhões de francos por barras de ouro.

No entardecer do dia 25 de fevereiro de 1954, dirigiu-se à casa de câmbio. Lá, apontou um revólver e exigiu a entrega do dinheiro que estava guardado na registradora. O cambista reagiu e foi atingido com duas coronhadas na cabeça. Enquanto o jovem fugia com a quantia roubada, deparou com um policial que havia sido alertado sobre o assalto à casa de câmbio. Ele ordenou que o assaltante parasse e se entregasse. Hesitante, o jovem atirou três vezes, o que custou a vida do policial. Revoltada, a multidão começou a perseguir o assassino, que continuava a atirar, ferindo uma moça no pescoço. Finalmente, ele se rendeu e foi preso.

O crime ganhou repercussão na França. O homicida não era um homem comum, mas filho de um rico banqueiro. Levado a julgamento, não demonstrava arrependimento. Com seu característico humor sarcástico, limitou-se a dizer: “Arrependo-me de não ter usado uma metralhadora”.

Seu advogado, Paul Baudet, católico fervoroso, decidiu lutar não apenas para salvar a vida de seu cliente, mas, sobretudo, para salvar sua alma. Jacques Fesch contava também com o apoio espiritual do velho capelão dominicano. Com o passar do tempo, começou a sentir uma angústia que penetrava o mais profundo de seu ser, angústia pela vergonha que havia causado à sua família. Crescia o temor da morte ao passo que os dias para sua possível execução se aproximavam. Entretanto, ele continuava cético e descrente. Chegou por vezes a ter desejos de atentar contra a própria vida.

Foi na noite de 28 de fevereiro de 1955, com um ano de detenção, que ele sofreu uma conversão repentina, depois de ter passado por uma experiência mística. Assim descreve: “Estava deitado, olhos abertos, realmente sofrendo pela primeira vez na vida. Repentinamente, um grito saiu de meu peito, uma súplica por ajuda – “Meu Deus!” –, e, como um vento impetuoso que passa sem que se saiba de onde vem, o Espírito do Senhor me agarrou pela garganta. Tive a impressão de um infinito poder e de uma infinita bondade, que, naquele momento, me fez crer com convicção que nunca estive abandonado”. Começa a ler livros de Francisco de Assis, Teresa de Ávila e Teresinha do Menino Jesus, a quem chamava de “minha pequena Teresa”.

A um amigo seu, confiou certa vez: “Agora tenho verdadeiramente a certeza de começar a viver pela primeira vez. Estou em paz e dei um sentido à minha vida, enquanto antes não era mais que um morto-vivo”. Isolado em uma pequena cela, comunica a sua fé por meio de cartas, que depois se tornaram objeto de reflexão por parte dos jovens católicos franceses.

Próximo da execução pela guilhotina, escreveu em seu diário: “Que cada gota do meu sangue apague um pecado mortal”. Na véspera da execução, redigiu: “Último dia de luta. Amanhã, nesta hora, estarei no Paraíso. Que eu morra, se essa for a vontade do bom Deus. A noite avança e eu fico cada vez mais apreensivo. Meditarei na agonia do Senhor no Horto das Oliveiras. Oh bom Jesus, ajudai-me, não me abandoneis. Mais cinco horas e estarei na verdadeira Vida. Mais cinco horas e eu verei Jesus!”.

Às 5h30 do dia 1° de outubro de 1957 (festa de Santa Teresinha), os guardas carcerários que vão buscá-lo o encontram de joelhos e em oração ao lado da cama bem arrumada. “Senhor, não me abandone, eu confio em Ti” – foram suas últimas palavras.

Que o exemplo desse homem sirva para pensar que sempre há esperança na nossa conversão e na conversão das pessoas, por mais afastadas de Deus que estejam.

Uma santa semana a todos!

Padre Paulo