Salvo por um milagre – II

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “salvo por um milagre – II”.

Como escrevi no primeiro relato (cfr. http://www.fecomvirtudes.com.br/salvo-por-um-milagre/), considero um verdadeiro milagre não ter morrido ao contrair a meningite bacteriana pneumocócica. Tudo parece ter sido orquestrado por um Deus amoroso que quis extrair muitos frutos deste acontecimento. Sobre estes frutos, vou falar numa outra ocasião.

Desta vez gostaria de compartilhar uma luz que me veio dias atrás ao pensar neste episódio. A luz foi esta: Deus me fez experimentar parte dos “novíssimos”.

Muitos agora me perguntarão: mas o que são os “novíssimos”? Quem conhece com profundidade a doutrina cristã já ouviu falar várias vezes sobre eles. Os novíssimos são as últimas coisas que nos hão de acontecer. A saber: a morte, o juízo particular que vem logo em seguida à morte, o purgatório, o inferno e o Céu.

A igreja nos diz que devemos meditar nestas realidades com certa frequência, pois elas pautam a nossa vida aqui na terra.

Voltando ao que ocorreu comigo.

De fato, depois do dia que acordei na UTI, após passar vários dias sedado e inconsciente, ao tomar consciência da realidade, vi que a morte nunca esteve tão próxima a mim. Na vida normal, quando falamos da morte, eu diria que há como uma espécie de carapaça que nos faz não senti-la tão próxima. Há como que umas cortinas que nos separam desta realidade. Penso até que possa ser uma proteção que Deus nos dá para conseguirmos tocar a nossa vida serenamente. Mas, por outro lado, não é tão bom viver como que “dopados” no dia-a-dia, neste corre-corre louco, presos a realidades tão efêmeras, sem pensar que um dia vamos morrer. Sem pensar que o decisivo desta vida, o mais importante, é preparar-nos para o encontro com Deus e recebermos a grande notícia de que merecemos o Céu, isto é, a vida eternamente feliz junto dEle.

Pois bem, lá na UTI, apesar de ter começado o caminho da minha melhora, a realidade da morte se fez muito presente para mim. Várias cortinas que me separam desta realidade, como disse acima, se abriram. Nunca vivenciei tão de perto esta realidade, que é a mais certa da nossa vida. Apesar de ver que Deus me livrou da morte, ela estava ali muito viva. Isso não significa que perdi a serenidade. Pensei nela imerso numa imensa paz. Mas pensei: “já pensou se depois de toda esta vida aqui na terra, na hora da morte, na hora do encontro com Deus, toda essa vida não me levasse a conquistar o Céu?” Aí pensei: “não, o que mais quero desta vida é que ela me leve para o Céu, para a eterna felicidade”. Nunca isso ficou tão nítido para mim. Nunca as banalidades desta vida ficaram tão banais. Nunca os prazeres ilícitos desta vida ficaram tão efêmeros.

Após a vivência da morte, Deus me conduziu para uma pequena experiência do purgatório. O purgatório é o lugar onde nós, merecendo o Céu, teremos que passar, caso nossa alma na hora da morte ainda não esteja pura, não esteja brilhando como uma esmeralda. O purgatório é um lugar de purificação e sabemos que esta purificação é muito dolorosa. Assim, toda vez que passamos por uma experiência de muita dor, associamos ao purgatório. Minha experiência do purgatório veio pelos diversos tipos de dores que senti na UTI e depois no quarto até a minha alta. Acho que nunca sofri tanto na minha vida. Mas percebi por trás de cada dor a mão de Deus. Vi que Deus permitiu aquelas dores para a minha purificação e para oferecê-las pela salvação de todas as almas. Apesar de sofrer, vendo este fim maior, sentia no fundo da minha alma um consolo.

Em paralelo com a experiência do purgatório, Deus me conduziu para a experiência do Céu. De fato, nunca na minha vida me senti tão perto de Deus, tão amado, tão querido, tão cuidado por Ele, tão predileto por estar passando por aquilo. Fiquei uma semana chorando de emoção. Tudo me emocionava. Um padre amigo mandou-me uma música que tocou profundamente o meu coração. Deixo ela aqui para vocês a ouvirem. É belíssima e reflete o que sentia naqueles dias, como me sentia nas mãos de Deus. Parte do Céu experimentei também ao ver tanta gente rezando por mim, tanta gente mandando mensagens de apoio.

Terminando esta breve reflexão, só tenho uma palavra: “como Deus é bom!!!!” Como vale a pena amá-lo e colocá-lo em primeiro lugar na vida. O amor é tudo!!! Esta vida se resume em amar a Deus e amar o próximo e converter toda ela numa ocasião para isso. Vale a pena!!!

Que Deus vos abençoe!!!
 
Padre Paulo