Prazer e escravidão

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “o prazer e a escravidão”.

Sugiro para a reflexão desta semana um excelente texto sobre esse tema.

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A bússola do coração

Se você pudesse olhar a “bússola íntima” de muitos homens e mulheres, veria que um grande número de corações tem a agulha magnética apontada para uma estrela de cinco pontas: meu prazer− meus gostos− meu interesse –minhas vantagens−meu direito de ser feliz.

Outros, poucos − tomara que aumentem e você seja um deles! –, a têm apontada para um norte melhor, para outra estrela que tem cinco pontas radiantes: ideal−doação−serviço−meu dever−meu amor.

A primeira estrela nasce dos porões mais profundos do egoísmo. A segunda surge do abismo de Amor de Deus, anunciando um alvorecer de vida.

Se você leu “O senhor dos anéis” ou viu esse filme, deve estar lembrado das sombras de Mordor, que invadem a Terra Média e ameaçam devastar tudo. O hedonismo é hoje uma sombra de Mordor que avança sobre a vida moral das pessoas. Você sabe o que é o hedonismo? Vale a pena lembrar: é a doutrina que considera o prazer como o único bem.

É característico do hedonista considerar o sofrimento individual como o “único mal”; e igualmente como um absurdo o sacrifício voluntário, se não é meio para conseguir “maiores prazeres”. Acontece, porém, que, eliminando o sacrifício, o bem desaparece ou fica paralisado.

O hedonista tem uma grande bandeira que é a liberdade, a liberdade de buscar o prazer quando quiser e como quiser. Porém a única liberdade que merece esse nome é aquela que filósofos cristãos chamam de “liberdade de qualidade”, ou seja, a liberdade de escolher voluntariamente não o prazer, mas o que é bom, o que é melhor, o que agrada a Deus. E isso exigirá muitas vezes sacrifício que o hedonista só entende quando for para buscar “maiores prazeres” para si mesmo. A liberdade do hedonista fica, assim, sob as rédeas do capricho e do prazer imediato. E o seu nome correto se chama libertinagem.

(…) Quem segue o hedonismo destrói, mais dia ou menos dia, a própria vida. De fato, pensando no sexo, o hedonista o rebaixa ao nível do consumo material. A parceira ou o parceiro – mesmo quando se trata de marido e mulher – passa a ser um objeto de mero prazer. E, pouco a pouco este prazer vai se tornando tirânico, uma obsessão, uma compulsão. A pessoa viciada em prazer sexual diz: “Faço o que quero”, mas deveria dizer: “Faço o que não consigo mais deixar de fazer”. Atolou, sem forças para sair, num brejo do qual só Deus o pode tirar.

A mesma coisa acontece com os outros prazeres: o prazer do álcool, das drogas etc. As drogas brandas, como a maconha, facilmente conduz a experimentar drogas mais fortes, pois o prazer pede prazer. A pessoa que se deixa levar pelo prazer vai caindo numa escravidão progressiva, que pode não ter retorno. Você acha que os viciados no álcool, na droga, no sexo, são um monumento à liberdade que tanto os motivou, a liberdade de fazer o que se quer? A liberdade de fazer o que se quer não é a autêntica liberdade, pois ela nos conduz a um poço sem fundo.

Sobre o pano de fundo dessas escravidões, ao buscar o prazer como o único bem, entende-se melhor a tremenda importância desta afirmação: «Onde não há sacrifício, não há o bem, não há a felicidade» (…) Gostaria de terminar estas ideias com um apelo vibrante: «Não gostaríeis de gritar à juventude que fervilha à vossa volta: – Loucos!, largai essas coisas mundanas que amesquinham o coração… e muitas vezes o aviltam…, largai isso e vinde conosco atrás do Amor?» (Caminho, n. 790). Medite nisso (cfr. www.padrefaus.org).

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Que estas ideias nos ajudem a buscar o amor a Deus e o amor ao próximo acima de tudo. É nesse caminho que se exerce a autêntica liberdade, pois a liberdade é “liberdade para amar”, para fazer o bem a Deus e ao próximo. Essa liberdade leva às alturas da felicidade. Porém a liberdade de buscar o prazer como fonte de felicidade, é uma liberdade egoísta, profundamente destruidora, que conduz aos abismos da felicidade.

Uma semana abençoada a todos!

Padre Paulo