O poder da fé

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “o poder da fé”.

Ficou muito marcada para mim a história do sequestro do tio de um colega de seminário.

No seminário que fiz em Roma, eu tinha um colega mexicano que se chamava Bernardo Cortina. Um tio dele, Bosco Gutierrez-Cortina, grande empresário mexicano, muito católico, fazia pouco que escapara de um sequestro que durou nove meses.

Assim que foi sequestrado, ficou tão impressionado e preocupado com sua família que caiu numa profunda depressão. Ficou completamente largado no chão, sem sair do lugar nem para fazer as necessidades. Até que, depois de quinze dias, os sequestradores lhe mostraram uma cartela dizendo que poderia pedir o que quisesse para beber, pois naquele dia acontecia uma festa nacional. Ele pensou e pediu uma bebida de que gostava muito: uísque Ballantines num copo grande cheio de gelo. Poucos minutos depois, trouxeram-lhe o uísque; quando ia beber, ouviu Deus em seu interior: não beba e ofereça esse uísque para mim. Pensou, pensou e, tomado de coragem, jogou o uísque na privada.

Esse momento foi uma espécie de ressurreição. O gesto lhe deu tanta força que ele se colocou pela primeira vez, desde que fora sequestrado, diante de Deus e pensou: eu acredito ou não acredito em Deus? Deus é meu Pai ou não é meu Pai? Se é meu Pai, devo aceitar que Ele está permitindo este sequestro para tirar um bem maior, e a primeira coisa que devo fazer é aceitar essa situação. E começou a empreender um ato de profunda aceitação do lugar em que estava, um cubículo de 1 metro por 3, o estar longe da família, estar nu, num local sem janela para o exterior, sem relógio para saber as horas, com sequestradores que não falavam uma palavra para lhe fazer guerra psicológica. De fato, eles não disseram uma única palavra ao longo dos nove meses em que esteve lá.

Depois que fez essa aceitação e reavivou sua fé, pensou: Deus e minha família querem que eu saia daqui bem, mesmo que eu permaneça por um bom tempo. Então vou fazer um plano de como será meu dia, desde a hora de acordar até a hora de dormir. Vou ter um tempo para rezar, um tempo para fazer ginástica, um tempo para fazer limpeza etc. Assim se organizou e dedicou um bom tempo às orações: lia a Bíblia, que pediu aos sequestradores, rezava o terço, fazia um tempo de oração mental ou conversa com Deus, fazia um exame de consciência antes de se deitar. Não sabia os dias da semana nem se era dia ou noite, mas se organizou de acordo com uma fita cassete que tocava o dia inteiro as mesmas músicas. Quando chegava o domingo, segundo seu entender, imaginava-se assistindo à missa.

Os meses foram passando com tentativas de negociação dos sequestradores com seus familiares. Havia encontros em países diferentes, mas estava difícil chegar a um acordo. A partir de um certo momento, Nossa Senhora começou a inspirar seu coração para que fizesse um plano de fuga. A única solução era tentar escapar por uma janela que ele não sabia onde daria, mas era a janela por onde os sequestradores passavam diariamente a comida. Um dia, com muito cuidado, já sabendo a rotina dos sequestradores, conseguiu abrir a janela e viu que dava para o quarto onde eles dormiam. Outros dias se passaram até que, sentindo-se movido interiormente por Nossa Senhora, decidiu fazer a fuga.

Abriu a janela com todo o cuidado num momento em que um dos sequestradores tomava banho e o barulho do chuveiro abafava outros ruídos. Passou pela janela, e no quarto estavam os outros sequestradores dormindo com sua metralhadora ao lado da cama. Engatinhando conseguiu chegar a outra sala e depois à porta de saída, e saiu. Na rua pegou um táxi e foi até sua casa. Escapou. Estava a salvo.

A história é muito mais rica e impressionante, mas não dá para contá-la em poucas linhas. O fato é que Bernardo relata que, graças à fé, seu tio se ergueu, isso depois de ter oferecido o uísque. Conseguiu se planejar para viver cada dia, conseguiu escapar movido interiormente por Nossa Senhora de Guadalupe, a quem era muito devoto, e conseguiu sair daquele lugar com plena saúde mental.

Que poder tem a fé!!!

Que esta história nos ajude a apoiar-nos muito em Deus, a buscar uma fé cada vez mais sólida e profunda, pois ela é a maior força que um homem pode ter na vida.

Uma santa semana a todos!

Padre Paulo M. Ramalho
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Padre Paulo M. Ramalho – Sacerdote ordenado em 1993. Cursou o ensino médio no colégio Dante Alighieri. Engenheiro Civil formado pela Escola Politécnica da USP; doutor em Filosofia pela Pontificia Università della Santa Croce. Atende direção espiritual na igreja Divino Salvador, Vila Olímpia, em São Paulo.