O excesso de tarefas e a paz

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “o excesso de tarefas e a paz”.

Grande parte das tensões que sofremos neste mundo tão agitado é devida ao excesso de tarefas que temos de realizar no dia a dia. Com tantas tarefas, tarefas de responsabilidade, e com pouco tempo para realizá-las, acabamos dominados pela ansiedade, pelas tensões, pela angústia. E aí vêm todos os mecanismos para liberar as tensões: exercícios, massagens, ansiolíticos, remédios para dormir, terapia etc.

Nesse sentido, penso que é revelador o ensinamento cristão sobre o trabalho. O trabalho é algo querido por Deus. Mas o trabalho e as tarefas de cada dia não podem nos tirar a paz. Deus dá a cada um de nós uma missão aqui na terra, que se traduz em trabalhos concretos, sejam trabalhos profissionais, familiares etc, mas a finalidade primeira dessa missão é amar a Deus e ao próximo dentro de uma profunda paz. A última coisa que Deus deseja é que percamos a paz com as tarefas que temos de realizar no dia a dia. É isso que explica um autor neste texto abaixo.

Muitas vezes Deus consente em que a carga de trabalho ultrapasse as nossas forças e, apesar de toda a nossa boa vontade, não consigamos terminar as nossas tarefas em tempo oportuno.

Pois bem, uma vez que as nossas ocupações são queridas por Deus, e não motivadas por simples impulsos humanos, Ele quer que apliquemos todo o cuidado no desempenho de cada uma delas. Feito isso, o nosso dever estará cumprido, pois Deus não nos pede um esforço angustiado e trepidante, antes, pelo contrário, no-lo proíbe. Deseja somente ver-nos agir na medida das nossas forças, generosamente, sacrificadamente, mas sem que nos angustiemos.

Deus quer ver-nos intensamente ocupados, não preocupados. Se houver obrigações que não possamos terminar no dia com seriedade e aplicação que o dever exige, permaneçamos em paz: a Vontade divina já foi cumprida neste dia. Fizemos o que nos competia e o Senhor está contente. Recomeçaremos no dia seguinte.


Nunca nos angustiemos, portanto; nunca nos deixemos inquietar pelas nossas ocupações, por mais urgentes e graves que sejam. Esmeremo-nos em conservar a serenidade em todo o nosso proceder. Que os nossos movimentos, o nosso andar, o nosso modo de falar sejam o reflexo de uma alma senhora de si. O nosso exterior reagirá de acordo com o nosso interior, e seremos sempre pessoas calmas e com domínio próprio.


Mesmo que tivéssemos o governo de um Império, esse cuidado não deveria fazer-nos perder a serenidade do coração, porque a nossa alma vale mais do que todos os reinos da terra. Jesus recusou a coroa que lhe ofereciam os judeus. Não se importa com essa oferta sem valor, mas se importa muitíssimo, suplica-nos a nós, que o façamos rei do nosso coração (Dom de si).

Como é bonito esse texto!!! É bom frisar bem o que ele diz:
– trata-se de fazer a cada dia a vontade de Deus e mais nada, não o que dita a nossa consciência rígida, vaidosa e perfeccionista, que se cobra muito e não admite não fazer as coisas que a nossa vaidade crê que deve fazer e nem num nível inferior segundo ela. Trata-se de fazer a vontade de Deus a cada dia e não o que dita também a nossa vontade, também vaidosa, de abraçar o mundo. Não é essa a nossa missão.
– Deus quer ver-nos ocupados e não pré-ocupados.
– que os nossos movimentos, o nosso andar, o nosso modo de falar sejam o reflexo de uma alma senhora de si.
– mesmo que tivéssemos o governo de um Império, esse cuidado não deveria fazer-nos perder a serenidade do coração, porque a nossa alma vale mais do que todos os reinos da terra.

Pensemos nessas ideias e procuremos colocá-las em prática e, com toda a certeza, muitas das nossas tensões desaparecerão como num toque de mágica.

Uma santa semana a todos!

Padre Paulo