Conquistando a serenidade – II

Olá a todos!

Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “conquistando a serenidade – II”.

Segue a segunda parte do texto sobre a serenidade, de Salvador Canals.

Objetividade e concretização; análise e síntese; suavidade e energia; freio e impulso; visão de conjunto e riqueza de pormenores: tudo isso e muito mais é abrangido, em síntese harmônica, pela virtude cristã da serenidade.

Nem tu nem eu podemos ser serenos sem luta: as paixões são uma realidade em todas as pessoas; a imaginação pode perturbar todas as cabeças; os nervos existem em todos os organismos; as impressões fazem vibrar todas as sensibilidades; a ignorância, o erro e o exagero são patrimônio de todas as inteligências e, portanto, o temor e a trepidação encontram cabida em todos os corações.

O domínio de nós mesmos, o equilíbrio nos juízos, a reflexão ponderada e serena, o cultivo da inteligência, o controle dos nervos e da imaginação exigem luta, firmeza e perseverança no esforço. Esse é o preço da serenidade. A serenidade deve ser uma virtude conatural no cristão, porque nenhum cristão pode ignorar que o princípio da serenidade e da harmonia reside no dom da fé.

Sobre esse terreno que acabamos de contemplar, terreno lavrado e convenientemente preparado pelo conjunto das virtudes humanas que conduzem ao equilíbrio, à objetividade, ao realismo e ao bom senso, deve levantar-se, como o sol sobre um campo rico de promessas, a virtude da fé, verdadeiro sol da alma, que nos dará uma visão da vida e de suas alternativas cheia de serenidade, de horizontes amplos e rica de pormenores.

Nessa serena visão, o coração se aquietará, a alma encontrará paz e a inteligência compreenderá, à luz de Deus, o porquê de muitas coisas, e assim aumentará a serena tranquilidade da sua vida. Nem as coisas que não se compreenderem poderão perturbar o coração, porque a própria fé ensinará que a causa do que não se compreende é sempre a bondade de Deus e o seu afeto pelos homens.

Serenidade cristã: tu vives escondida sob o véu obscuro da fé; serenidade cristã: tu penetras na alma com a visão sobrenatural, como o orvalho penetra nas flores às primeiras luzes da manhã; serenidade cristã, tu te escondes nestas palavras de Jesus: “Não perturbeis o vosso coração nem vos aflijais — não vos preocupeis… — De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?”.

Serenidade cristã: penetras a alma na oração, como as chuvas inundam a terra na primavera; serenidade cristã: mergulhas as tuas raízes na alma que aprende a abraçar e a vencer a dor com espírito de fé; serenidade cristã: tu te estabeleces na alma quando ela se alimenta do Corpo e do Sangue de Cristo; serenidade cristã: enches a alma que se abre sincera e confiadamente ao diretor espiritual; serenidade cristã: és o presente mais delicado que Jesus faz às almas simples e desprovidas de complicações.

O nosso Pai Deus nos quer serenos no meio das provações e dificuldades da vida: insistentes na oração, pacientes na tribulação, alegres na esperança.

Jesus nos quer serenos em face da morte e em face da vida. Quer vivamos, quer morramos, somos do Senhor. O Senhor nos quer serenos no nosso trabalho de cada dia, sobretudo quando se torna duro e pesado. Deus Nosso Senhor nos quer serenos quando, pelo nosso estado e condição, devemos dar aos outros ajuda e conselho. Jesus Cristo nos quer serenos quando nos encontramos à mesa de trabalho, em face dos problemas e decisões da nossa profissão.

E serenos também na nossa vida de aperfeiçoamento e nos nossos esforços sinceros por ser melhores. Pela paciência possuireis as vossas almas. Falta-te serenidade quando te zangas contigo mesmo e perdes a paz, ao comprovares que teus progressos nas vias do Senhor são lentos. Não te esqueças de que é a luz da serenidade que te faz compreender o valor destas palavras: “Ninguém se faz santo de repente”. E não te esqueças depois de que jamais encontrarás o Senhor no tumulto e na precipitação interior. O Senhor vem na tranquilidade.

Espero que estas palavras sejam um abundante alimento para viver essa virtude tão importante para a nossa vida!

Uma santa semana a todos!

Padre Paulo