Conquistando a serenidade – I

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “a serenidade – I”.

Como é importante a virtude da serenidade!!! A serenidade e a paz interior estão entre os maiores sonhos de consumo espirituais. Aconselho a todos a ler as palavras tão bonitas de um conhecido autor espiritual, Salvador Canals, sobre esse tema. Como são um pouco mais longas do que minhas mensagens habituais, vou dividi-las em duas publicações.

Quando eu era um moleque, fazia, como é hábito entre as crianças, pequenas construções
de barro com pedras e pedaços de madeira, e, se alguém descuidadamente lhes punha o pé em cima, destruindo-as… que tragédia!

Pensando agora naquelas brincadeiras de criança, divirto-me, e, se revivo com a recordação aquelas tragédias infantis, não posso deixar de sorrir.


Brincadeiras de criança e tragédias infantis — é isso que são, se soubermos encará-las serenamente, tantas e tantas preocupações de pessoas muito avançadas em anos e de juízo maduro.


A virtude da serenidade é rara, e nos ajuda a ver as coisas à sua verdadeira luz e a apreciá-las no seu justo valor, o valor real e objetivo que têm, e que nos é revelado pelo equilíbrio e pelo bom senso; e a apreciá-las também segundo o valor sobrenatural que devem alcançar, e a que nos conduz o espírito de fé.


Falta-nos essa serenidade quando deformamos a realidade, quando fazemos de um grão de areia uma montanha; quando nos afligem com o seu peso coisas que não nos deveriam perturbar; sempre que não tomamos em conta, no nosso juízo, a Providência divina e a luz das verdades eternas. Subsistiriam na nossa vida tantas preocupações, inquietações e sobressaltos, se vivêssemos essa virtude cristã da serenidade? Nenhuma, ou quase nenhuma.


Olha como o simples decorrer do tempo nos dá, quase sempre, a serenidade do passado; mas só a virtude nos pode garantir a serenidade do presente e do futuro.


O tempo, depois que passa, restabelece cada coisa no seu lugar; aquele acontecimento que tanto te preocupou e aquele outro que tanto te perturbou agora, que tudo pertence ao passado, é apenas uma sombra, um claro-escuro no quadro da nossa vida, é dessa serenidade do presente e do futuro que te quero falar.


Temos necessidade da serenidade da inteligência, para não sermos escravos dos nossos nervos ou vítimas da nossa imaginação; temos necessidade da serenidade do coração, para não sermos consumidos pela ansiedade ou pela angústia; precisamos também de serenidade na ação, para evitarmos obnubilações, superficialidade e inútil desperdício de forças.


A cabeça serena dá-nos firmeza e pulso para uma atividade de comando; cabeça serena é aquela que encontra a palavra justa e oportuna que ilumina e consola, que sabe ver as coisas com profundidade e perspectiva, sem descuidar dos pormenores e dos aspectos particulares que devem ressaltar numa visão de conjunto.


Acho que te devo repetir que a virtude da serenidade é uma virtude rara, porque a vida de muitas pessoas é dominada pelos nervos; porque não poucas existências se consomem em imaginações e fantasias; e porque existem temperamentos que de tudo fazem uma tragédia ou um melodrama.


A pessoa meticulosa só vê os pormenores e asfixia-se com a sua insistência; o teórico apenas vê os problemas gerais e isola-se da vida; só a pessoa serena sabe ver o conjunto e os detalhes, e extrair deles uma síntese eficaz e concreta.


O homem rígido não é sereno, porque a sua rigidez o faz ultrapassar os limites do que é justo e razoável, do que é proporcionado às circunstâncias das pessoas, do tempo e do lugar. A falta de serenidade do homem rígido perturba e oprime os outros.


Não é sereno o homem fraco, porque se detém antes de chegar à meta, e assim se prejudica a si próprio e aos outros. O fraco não aborrece nem oprime, mas também não governa; nunca será eficaz (Salvador Bernal, “
Reflexões espirituais”).

Pensemos com carinho nestas palavras nesta semana para examinar se somos serenos ou não.

Continua na semana que vem…

Uma santa semana a todos!

Padre Paulo