Caridade: não pegar no pé

Olá todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “caridade: não pegar no pé”.

A caridade é um verdadeiro desafio para nós. No dia a dia podem aparecer inúmeros comportamentos que atrapalham a caridade. Gostaria de falar desta vez do comportamento de “pegar no pé”.

Convivendo com as pessoas no dia a dia, vemos inúmeros atitudes e defeitos que são diferentes dos nossos. Lembro-me, por exemplo, de um casal que começou a discutir porque um achava que a tampa do vaso sanitário deveria estar deitada e o outro achava que deveria estar de pé.

É uma miudeza, não é verdade? O que importa isso para o projeto maravilhoso de construir uma família? Nada. Mas vamos supor que seja algo um pouco mais relevante: atrasar o pagamento de uma conta. Tanto a questão da tampa do vaso sanitário, se vemos que o cônjuge a coloca de um modo que não gostamos, quanto a questão do atraso no pagamento da conta são questões que nos incomodam. E na convivência há inúmeras questões como estas.

Diante destas questões, um erro na caridade é ficar “pegando no pé”, tanto nas miudezas, quanto nas coisas grandes. Ficar “pegando no pé” chateia qualquer um e desgasta qualquer relação.

Qual é o comportamento correto ao ver algo que desagrada? São vários.

Primeiro: não falar nada na hora. Exceção (onde se permite falar na mesma hora quando alguém está fazendo algo errado): quando for algo muito, muito grave. Fora isso, não devemos falar nada na hora.

Segundo: não fazer cara de reprovação. É difícil, mas isso é muito importante para a relação. O olhar de reprovação azeda toda relação.

Terceiro: abordar a questão trocando ideia com o cônjuge (ou com quem for, com o pai, com a mãe, com o irmão) num bom momento, quando você e o outro estiverem calmos e serenos. Depois dessa troca diálogo serena, se o cônjuge ou quem for não ceder e a questão for pequena, irrelevante, não for nenhuma ofensa a Deus ou ao próximo, deixá-la de lado. Aprender a conviver com esta diferença. Se a questão não for irrelevante, como o atraso no pagamento de uma conta, e o cônjuge ou quem for ainda não deu mostras de mudar nesse comportamento, não será na base da cobrança que ele(ela) vai mudar, mas sim na base do diálogo.

Lembro-me de uma pessoa que me fazia notar a diferença entre cobrar e exigir. De fato, há uma diferença bem grande entre estas duas atitudes. Cobrar é falar na hora, ser chato, não se colocar muito no lugar do outro, não ter compaixão, misericórdia. Exigir é, por amor, ajudar o outro a ser melhor. Quem exige não é chato, é paciente, ama o próximo do fundo do coração e dá a vida para que ele melhore. Era o que Cristo fazia com os apóstolos. Eles eram cheios de defeitos, mas Cristo, com muita paciência e amor, foi transformando pouco a pouco, através da exigência e não da cobrança aquelas pedras brutas em verdadeiras pérolas.

Vamos fazer o propósito de não sermos chatos no relacionamento, de não ficarmos fazendo cobranças e mais cobranças. Vamos aprender a exigir, dialogando num bom momento com as pessoas, sabendo puxá-las para cima, tendo paciência e muito amor. Se fizermos isto nossa convivência vai melhorar da água para o vinho e começaremos a experimentar o que é a convivência cristã, aquela sonhada por Cristo, onde há muita alegria e muita paz.

Uma santa semana a todos!

Padre Paulo