Cabeça forte, pessoa forte

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “cabeça forte, pessoa forte”.

A virtude da fortaleza é fundamental para a nossa vida. Sem ela, nossos sonhos e projetos ficam a meio caminho. Gostaria de sugerir a leitura deste extraordinário texto abaixo, no qual o autor começa falando que uma pessoa forte precisa ter uma “cabeça forte”.

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A fortaleza nasce na cabeça e vive a partir de um centro medular de ideias e convicções inabaláveis, que criam poderosas motivações capazes de superar todos os obstáculos.

 
Uma mãe, aparentemente fraca, reage com uma resistência e uma ousadia incríveis quando se vê na necessidade de defender a vida de um dos seus filhos, porque para ela o amor aos filhos — o instinto de maternidade — representa o núcleo mais íntimo das suas convicções. O mesmo significa para um verdadeiro patriota o amor à sua gente e à sua terra. A sua capacidade de coragem e valentia na defesa desse amor está na razão direta do grau de enraizamento das suas convicções fundamentais em torno da ideia de Pátria. Quando sente ameaçados esses princípios fundamentais, a reação que experimenta pode atingir níveis do mais alto heroísmo. Igual atitude pode ser assumida por um homem em face dos valores espirituais. Neste caso, a presença inefável de Deus e o seu amor chegam a representar para ele algo tão profundo que, para defender a sua fé e a honra que Deus merece, é capaz de arriscar a própria vida e morrer mártir.
 
Mas nunca existirá capacidade para atacar e para resistir — atos fundamentais da fortaleza — se não houver convicções e motivações fortes. Um homem sem um núcleo essencial de convicções é sempre um homem pusilânime, tímido, medroso, débil.
 
A consistência das ideias
 
(…)
 
Nada mais antipático, sem dúvida, do que uma falsa fortaleza que se manifesta numa atitude mental inflexível, esclerosada, intolerante, enfatuada, arrogante ou fossilizada. Mas também nada mais lamentável do que um homem feito de creme, com o cérebro mole de uma criança, intelectualmente invertebrado, sem contornos, como uma ameba, sempre dependente do meio em que vive, frívolo, com “cabeça semelhante a uma loja de bricabraque”, cheia de “utopias, sonhos e… trastes velhos”, sem perfis nítidos nem horizontes…
 
(…) Ibsen chega a comparar um homem sem caráter a uma cebola: “Peter Gynt parecia-se com uma cebola que se vai descascando sem nunca se chegar a um ponto sólido. A vida para ele não constituía mais do que uma sucessão de meses e anos que o vento levou, sem nunca pôr a descoberto um centro resistente. O único epitáfio que se poderia gravar na lousa da sua campa seria este: «Aqui não jaz ninguém»”. Os Peter Gynt povoam a terra e fazem dela um vasto campo de cebolas.
 
Pertencemos nós a esse triste tipo de pessoas? Temos realmente um ponto sólido, um centro resistente de ideias, umas convicções fundamentais que constituam o núcleo essencial da nossa personalidade? Essas convicções são capazes de responder às perguntas essenciais que todo ser humano formula mais cedo ou mais tarde: quem sou, de onde venho, para onde vou?
 
Sem possuir uma certeza a respeito dessas questões, o homem nunca pode ter segurança. Como pode viver seguro quem não conhece o sentido da sua vida e da sua morte, da sua doença e da sua dor? Como pode evitar a angústia quem sabe que pode ser jogado em qualquer momento na valeta da vida, como um gato morto, pelo simples capricho de uma circunstância fortuita, de um acaso?
 
E assim chegamos necessariamente à questão do nosso relacionamento com Deus, porque, sem Deus, essas perguntas ficam penduradas no vazio, sem resposta possível. Sem Deus, a minha vida é um enigma gerador de precariedades, tédios e angústias. Um homem sem Deus é simplesmente um homem para a morte (Rafael Llano Cifuentes, “A Fortaleza”, Ed. Quadrante).

Que essas ideias nos ajudem a pensar se todo o problema da minha falta de fortaleza para as coisas não começa pela cabeça, por ter uma cabeça fraca, sem convicções profundas, sem ideais nítidos.
 
Uma semana abençoada a todos!
 
Padre Paulo