A bondade autêntica – III

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “a bondade autêntica – III”.
 
A PESSOA BOA

Vamos falar agora do terceiro nível de bondade. Vimos anteriormente que a bondade tem níveis, que costumamos não distinguir muito esses níveis e que isso nos impede de enxergar o nível de bondade que temos. Há realmente pessoas que são “mais boas”, melhores do que outras.

Podemos definir a pessoa boa como aquela que, além de ter uma bondade no seu coração, como o bonzinho, e de arregaçar as mangas para ajudar o próximo, como o “medianamente bom”, tem a fortaleza de corrigir o próximo ajudando-o a ser melhor.

O “medianamente bom” reduz a sua bondade a ajudar o próximo nas suas necessidades. Não há dúvida de que já é algo muito bom. O “medianamente bom” caracteriza-se por não pensar em si e estar sempre se doando. E isso é realmente admirável.

Mas ser bom pressupõe ainda duas qualidades importantíssimas:
– saber dizer não;
– corrigir os que erram.

Uma pessoa, para ser boa, precisa saber dizer não. E principalmente precisa dizer não aos outros. Precisa fazê-lo por dois motivos: para não descuidar das suas obrigações e para ajudar os outros a evoluir. Quem não sabe dizer não acaba descuidando do cuidado pessoal, das suas obrigações, dos seus deveres, da sua saúde. E há um sadio amor-próprio, contraposto ao amor ao próximo, que não podemos deixar de lado. Temos de realmente ser muito generosos em ajudar o próximo, mas não podemos deixar de lado aspectos importantes da nossa vida ou até descuidar das pessoas à nossa volta que são mais importantes do que outras. Não podemos descuidar da família, por exemplo, por gastar muito tempo ajudando outras pessoas.

Para sermos bons também, precisamos dizer não em muitos casos para as solicitações de um familiar, amigo ou colega, para que eles aprendam a se virar. Para que amadureçam e cresçam. O “medianamente bom” não sabe dizer não e, por isso, cria pessoas imaturas e dependentes. Uma pessoa boa sabe ser forte e dizer não pensando na evolução humana e espiritual das outras pessoas.

Mas a pessoa boa, por ser mais forte, consegue atingir outro patamar, que é corrigir aqueles que erram. Essa é uma bondade que a maioria dos pais costuma ter com relação aos seus filhos. Mas a pessoa boa, puxada pela sua bondade e fortaleza, sai da sua zona de conforto e sabe corrigir os colegas e amigos.

Nossa bondade ainda não será autêntica se virmos as pessoas que amamos se comportarem mal e não falarmos nada. Esse é um aspecto que custa muito a nós, brasileiros, pois somos, em geral, muito sentimentais. Temos pavor de desagradar alguém. Mas, se não vencermos esse medo, nossa bondade ficará muito limitada. Deus pede que ajudemos as pessoas a ser melhores. Não podemos ver alguém que não age corretamente e não falar nada.

Que diferença existe quando alguém, como um bom médico, sabe colocar o dedo na ferida e curar o doente! É aí que começamos a fazer realmente a diferença para as pessoas. É aí que as pessoas começam a dizer que nós mudamos a sua vida. Que nós as ajudamos a crescer e a ser melhores.

Que gostoso é quando alguém se aproxima de nós e nos diz que fomos muito importantes na sua vida. Que com aquela crítica construtiva começou a enxergar algo que não estava enxergando, e passou a se esforçar para tratar melhor o cônjuge, a colocar mais empenho nas coisas, a confiar mais em Deus, a ser menos egoísta e pensar mais no próximo etc. Esta é uma das maiores alegrias que podemos experimentar na terra: contribuir para que alguém se torne melhor e mais feliz.

Na próxima reflexão, vamos falar sobre o maior grau de bondade.

Uma semana abençoada a todos!
 
Padre Paulo