Bom-humor

Gostaria de falar esta semana sobre o bom-humor.

Alguém poderia perguntar: o que tem a ver o bom-humor com o cristianismo? Eu diria que o bom-humor é uma autêntica virtude cristã porque ela é decorrência da virtude da alegria.

Além do mais, vocês conseguem imaginar Jesus Cristo mau-humorado, com cara fechada, com cara de poucos amigos? Não dá para imaginar, não é verdade! Cristo, pelo contrário, devia mostrar um bom-humor, uma boa disposição, constante. Veja, por exemplo, aquela cena em que um cobrador de impostos vem pedir para Jesus pagar o tributo. Então Jesus, aproveita esta situação para fazer algo divertido: pediu para Simão Pedro ir pescar e abrir a boca do primeiro peixe que pegar, pois lá encontraria uma moeda no valor exato do imposto. Podemos imaginar a cara que faria o cobrador de impostos ao ver toda esta cena.

Como vocês já devem ter percebido, não é nada fácil manter o bom-humor em todas as ocasiões da nossa vida. É fácil estar bem-humorado quando as coisas correm bem, mas não é nada fácil quando algo nos contraria. Também já devem ter percebido que existem pessoas mais bem-humoradas do que outras e, para isto, existem duas explicações: ou é fruto do seu temperamento ou é fruto da sua luta para ser bem-humorado.

Para um cristão deveria ser o normal estar sempre com bom-humor, pois estando ao lado de Deus, tudo tem saída. No entanto, como somos muito frágeis, ou nos esquecemos de que Deus está sempre do nosso lado e tudo tem saída, ou as pequenas ou grandes dificuldades de cada dia nos afogam.

O que normalmente costuma tirar-nos o bom-humor?

Em primeiríssimo lugar, a falta de fé na proteção divina.

Em segundo lugar, as pequenas dificuldades de cada dia:
– uma humilhação
– um fracasso
– a comprovação da nossa miséria
– a falta de tempo para fazer as coisas
– o cansaço
– a convivência com uma pessoa maçante
– alguém que nos ofende, nos despreza
– perder um objeto: a chave do carro, por exemplo
– comprovar que estamos envelhecendo
– etc, etc.

Como se vê, não são poucas as fontes do mau-humor, considerando apenas as pequenas dificuldades de cada dia. Nem se diga se pensarmos nas grandes.

Diante de tudo isto, como temos que reagir?
– desdramatizando os acontecimentos; via de regra fazemos tempestade em copo de água; a única desgraça mesmo nesta vida é ofender a Deus; mas mesmo assim, se nos arrependemos, podemos obter o perdão divino
– rindo de nós mesmos e das “pequenas desgraças”; rir é já sinal de distanciar-se do problema, não ser engolido pelo problema
– tendo espírito esportivo: aprendendo a começar e recomeçar; o bom esportista nunca se abate por não atingir a marca pretendida; sabe que precisará meses e meses para alcançá-la
– rezando: quando rezamos, Deus nos eleva para o alto da montanha e lá todos os morrinhos são apenas pequenos morrinhos

Uns anos atrás, o papa João Paulo II num almoço com teólogos começou a contemplar com surpresa a discussão acalorada entre dois deles. Como a discussão ia se tornando cada vez mais acalorada, num determinado momento o papa fez uma careta feia e gritou: buuuuuuuuuhhhh!!!! Não deu outra: em poucos segundos a discussão acabou e todos caíram na gargalhada.

“Muitas vezes” será assim que destruiremos o balão de uma situação dramática e constrangedora. Mas “sempre” destruiremos com a paz de espírito e a união com Deus.

Pe. Paulo

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