Amor ao próximo – V

Olá a todos!
Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “amor ao próximo – V”.

Na última reflexão de hoje sobre o amor ao próximo o nosso autor nos conduz ao grande remédio para vermos as coisas boas do próximo: arrancar nossos defeitos.

Continuação da semana passada…

O coração bom enxerga coisas boas


Já dizia o Padre Vieira que “os olhos veem pelo coração; e, assim como quem vê por vidros de diversas cores, todas as coisas lhe parecem daquela cor, assim as vistas se tingem dos mesmos humores de que estão bem ou mal afetos os corações” (Sermão da quinta Quarta-feira, 1669).

Quando o coração é limpo e bom, enxerga as coisas limpas e boas do mundo, especialmente as coisas limpas e boas dos outros. Se está manchado, projeta a sua sujidade em tudo.

Se fôssemos mais humildes e esquecidos de nós mesmos, ao percebermos que as fraquezas e os erros dos outros fazem saltar como uma mola os nossos próprios defeitos, começaríamos por tentar limpar esses nossos defeitos. Um pequeno inseto pousado sobre uma ferida aberta incomoda muito. Mas, se curarmos essa ferida, a presença do inseto sobre a pele sadia será quase imperceptível.


Meditando nestes aspectos, Santo Agostinho sugeria um sistema excelente: “Procurai adquirir as virtudes que julgais faltarem aos vossos irmãos, e já não vereis os seus defeitos, porque vós mesmos não os tereis” (Enarrationes in Psalmis, 30, 2, 7).


Vale a pena tentar essa experiência. Suponhamos, por exemplo, que estamos a conviver com uma pessoa ríspida. Fala bruscamente, agride com comentários, critica tudo. Isso “provoca-nos” e impele-nos a retrucar com a mesma moeda: quase sem repararmos, também nós nos tornamos agressivos e azedos.

Esforcemo-nos por dar uma virada. Tentemos, como ensina São Paulo, vencer o mal com o bem (Rm 12,21). Iniciemos decididamente uma campanha de paciência, amabilidade e mansidão. É muito provável que aconteçam duas coisas: primeiro, que a pessoa que nos “provoca” fique desarmada perante a nossa afabilidade, e mude; segundo, que nós mesmos, com a alma limpa de preocupações egoístas, venhamos a descobrir que aquela rispidez “incompreensível” outra coisa não era senão a amargura de alguém que não sentia reconhecido e valorizado o seu trabalho; ou então era o queixume surdo de quem tinha ânsias de um pouco mais de atenção que ninguém lhe dava. Uma vez feita essa constatação, já não veremos mais um defeito que aborrece, mas uma carência que, com carinho, procuraremos aliviar. Passaremos a olhar o problema com o calor aconchegante da bondade.

Como dizia alguém, “somente nos irritam os nossos defeitos”. As agulhadas e impertinências dos outros são “cutucões” sobre os nossos defeitos, que Deus permite para que os vejamos melhor e nos decidamos a vencê-los. Se arrancarmos os nossos defeitos, as “pedras” do nosso campo – da nossa alma –, não sentiremos mais os “pontapés” dos outros, porque não terão onde tropeçar. Se todos nós compreendêssemos essas verdades simples, haveria mais paz nas famílias e, em geral, no convívio humano, e muitas desavenças crônicas abririam passagem à harmonia e cresceria o amor. (Padre Francisco Faus, www.padrefaus.org)


Fim

Que estas palavras tão belas e tão profundas deste autor que estivemos meditando nas últimas semanas sejam uma luz permanente para empreendermos o caminho extraordinário do amor ao próximo, que unido ao amor a Deus é a razão de ser da nossa vida.

Uma santa semana a todos!

Padre Paulo